Cedurb promove audiência pública para discutir a situação das encostas em Salvador"/>

Cedurb promove audiência pública para discutir a situação das encostas em Salvador

Cedurb promove audiência pública para discutir a situação das encostas em Salvador

 “A geomanta é um paliativo, uma estabilização passageira. Não é contenção de encosta. É estranho que este tipo de material seja solução para todo tipo de encosta, como tem feito a prefeitura”. A afirmação é da deputada estadual Maria del Carmen, durante a audiência pública “A Situação das encostas em Salvador: acompanhamento dos investimentos e ações no enfrentamento e na gestão de riscos”. A atividade, realizada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano (CEDUrb), que é presidida pela parlamentar, aconteceu na manhã desta quinta-feira (12), na Assembleia Legislativa da Bahia, e teve como objetivo debater as obras de contenção de encostas e dos planos de prevenção e gestão de riscos executados e/ou pensados para a capital, no âmbito da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado.

Salvador é palco, já há muitos anos, de deslizamentos de terra que provocam a morte de moradores das áreas de risco – tendo como caso mais recente o desabamento em Pituaçu, em março de 2018, que levou a óbito quatro pessoas da mesma família. Alguns fatores influenciam na ocorrência destes deslizamentos: o relevo, a ocupação desordenada e as ações dos moradores nas encostas ao longo do tempo, como apontou o engenheiro civil e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), Luís Edmundo Campos.

Desde 2015, o Governo do Estado tem se debruçado sobre este problema, assumindo obras de encostas capital e Região Metropolitana. São mais de R$ 200 milhões, investidos em mais de 100 contenções encostas, como destacou o Diretor de Habitação e Urbanização Integrada da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), Deusdete Fagundes. Ele ainda explicou que, para cada tipo de situação, é projetada uma solução diferente para cada encosta e que o Governo do Estado utiliza cortina atirantada em concreto, para garantir maior segurança às famílias que vivem próximas às encostas de alto risco.

A prefeitura de Salvador optou por uma solução considerada um paliativo pelos especialistas, como explicou o engenheiro Juan Sobral. “A geomanta dá uma sensação de segurança em algo que não é tão seguro e esta solução não deveria ser apresentada como algo definitivo, como vem sendo feito. Precisamos repensar. De repente a lona preta dê a dica da situação para sabermos que algo precisa de atenção imediata. Hoje vemos o cimento [da geomanta] por cima das encostas e achamos que está tudo bem, mas não sabemos como o solo está por trás”.

Ao final, Maria destacou a importância do debate para constuir, junto com a sociedade, soluções que melhor atendam às nessecidades da população. A parlamentar também chamou a atenção descaso da Prefeitura Municipal de Salvador, que mais uma vez não compareceu para prestar esclarecimentos para a população.  "É uma pena que a prefeitura não esteja aqui para debater uma situação que não faz parte de divergência política e ideológica. Estamos aqui para darmos as mãos no enfrentamento deste problema que é grave em nossa cidade, levando em consideração que Salvador tem mais de 600 áreas de risco de deslizamento", lamentou.

A atividade ainda contou com a participação da representante Defensoria Pública do Estado, Bethânia Ferreira; do superintendente de Proteção e Defesa Civil do Estado (Sudec), Paulo Sérgio Luz, e da liderança comunitária, Francisco de Assis (Chiquinho).