Presidente da Caixa fala sobre os desafios do banco

Presidente da Caixa fala sobre os desafios do banco

Nascido em 27 de setembro de 1956, em Salvador, Jorge Fontes Hereda formou-se em arquitetura pela Universidade Federal da Bahia e fez mestrado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo. Entre 1993 e 2002, ele acumulou experiência nas secretarias de Habitação e Desenvolvimento Urbano do município de Diadema, de Desenvolvimento Sustentado de Ribeirão Pires, de Serviços e Obras de São Paulo e como secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Além disso, foi presidente da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB). Já no governo federal, entre os anos de 2003 e 2005, foi secretário de Habitação do Ministério das Cidades. Em 2005, assumiu a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, cargo que ocupou até março de 2011, quando assumiu a presidência da instituição.

Como o sr. vê os efeitos da crise financeira no Brasil e qual tem sido o papel da CEF neste contexto de turbulência internacional?

O país tem fundamentos macroeconômicos sólidos. Possui atualmente US$ 376 bilhões em reservas internacionais e é credor internacional líquido em mais de US$ 73 bilhões. O ingresso de capitais no país continuou mesmo diante da crise internacional, com a entrada líquida de mais US$ 65 bilhões em Investimentos Estrangeiros Diretos no acumulado em 12 meses até setembro, que são capitais de longo prazo, portanto menos voláteis. Desta forma, o Brasil está preparado para enfrentar eventuais turbulências e em uma posição muito mais favorável hoje do que em crises anteriores. O sistema financeiro do país é forte, com elevados níveis de liquidez e de capital.

Além disso, a atuação da Caixa e do governo federal foi importante para manter o ritmo da economia, com programas, por exemplo, como Minha Casa Minha Vida e o Melhor Crédito que estão permitindo o acesso ao crédito a taxas mais baixas e à casa própria principalmente para as populações mais carentes. Outro bom  exemplo é o Programa Minha Casa Melhor, que tem sido importante para impulsionar o comércio varejista nos últimos meses.

No último ano, a CEF teve crescimento de 43% no volume de financiamentos, se tornando a segunda maior carteira de crédito do país. Ao que se deve este resultado? 

Essa evolução da carteira de crédito da Caixa está alinhada à visão de futuro da empresa de “estar entre os três maiores bancos brasileiros até 2022, mantendo a liderança como agente de políticas públicas”. Esse crescimento foi favorecido pela emblemática redução das taxas de juros dos nossos produtos de crédito.

Além disso, a Caixa passou a diversificar seu foco de atuação que  estava concentrado no crédito habitacional e no consignado. A nova postura vem obedecendo uma estratégia no sentido de a Caixa ser também  o banco das micro e pequenas empresas e da nova classe média, além de ser competitivo nos segmentos de média e alta renda e das médias e grandes empresas. Isso permitiu à empresa registrar crescimentos tão expressivos na carteira de crédito.

Vale ressaltar que o crescimento da carteira de crédito da Caixa tem ocorrido com qualidade, pois a empresa adota modelos eficientes de gestão de carteiras, que nos coloca numa posição de baixa inadimplência.

Como a robusta ascensão social verificada no Brasil na última década reorientou a estratégia do banco? Qual a perspectiva para o próximo período?

Atenta aos movimentos que melhoraram a estrutura social do país nos últimos anos, a Caixa passou a orientar seus negócios para melhor atender esse público, decorrente da ascensão social no país. Como exemplo, temos a determinante participação da empresa na operacionalização do programa do governo federal que é o Minha Casa Minha Vida e a atuação no mercado de financiamento de veículos e crédito consignado.

Essa reorientação estratégica está pautada nas mudanças que ocorreram na composição das classes sociais no país nos últimos anos. De acordo com dados do Ministério da Fazenda e da Fundação Getúlio Vargas, de 2006 para 2012, a participação da classe C aumentou de 43% para 55% da população brasileira e, ainda conforme estas instituições, a previsão é de que a participação desta classe social seja de 59% da população em 2014, com redução na participação nas classes D e E.

O forte mercado de trabalho brasileiro também contribuiu para toda essa mudança social. Nossa expectativa é que as condições de trabalho na economia brasileira sigam positivas, com taxas de desemprego historicamente baixas e ampliação da renda real. Neste contexto de condições favoráveis do mercado de trabalho e continuidade do movimento de acessão social, o mercado bancário e a economia brasileira tendem a seguir em desenvolvimento.

A deputada costuma dizer que a CEF é o braço operacional dos programas sociais do governo. Qual a importância do banco para a consolidação da rede de proteção social brasileira?  

A Caixa, como executora das políticas públicas e parceira estratégica do Estado brasileiro, operacionaliza diversos programas sociais e vem exercendo um importante papel para a sociedade.

Como braço operacional do governo, a Caixa realizou este ano (até outubro) mais de 209 milhões pagamentos de benefícios envolvendo recursos da ordem de R$ 60 bilhões, na rede lotérica, Caixa Aqui, autoatendimento e agências, presentes em todos os municípios brasileiros, propiciando mais comodidade e segurança para os beneficiários dos programas sociais. Além disso, são prestadas informações a cerca de 43 milhões de cidadãos no canal internet e 0800 - Atendimento Caixa ao Cidadão.

A Caixa presta atendimento mensal a mais de 13 milhões de famílias do Bolsa Família mensalmente e, de janeiro a outubro de 2013, efetivou mais de 131 milhões de pagamentos de benefícios no montante de R$ 20 bilhões. Apoia as ações de inclusão social e financeira dessas famílias, com orientação e inclusão bancária que alcançam 2,7 milhões de famílias do Bolsa Família. O governo federal, com o apoio da Caixa, conseguiu retirar 36 milhões de pessoas da extrema pobreza com o programa Bolsa Família, associada às demais políticas públicas desenvolvidas pelo governo federal, em parceria com Distrito Federal, estados e municípios.

Além disso, na operacionalização dos demais programas a Caixa atendeu em 2013 (até outubro) cerca de 50 milhões de trabalhadores, disponibilizando R$ 40 bilhões em benefícios, como o Seguro-Desemprego, Abono Salarial, PIS, Garantia-Safra, Bolsa-Atleta, Auxílio Emergencial Financeiro, dentre outros.  São programas sociais que possibilitam aos cidadãos uma renda mínima em situação de vulnerabilidade como os agricultores familiares com a safra comprometida, as famílias residentes em municípios em estado de calamidade com perda da safra; para pescadores no período do defeso da pesca. A história da Caixa acompanha as transformações sociais que marcam o Brasil.

O programa Minha Casa Minha Vida tem atendido uma extensa parcela da população que não tinha acesso à moradia, como isso tem afetado o déficit habitacional do país?

O PMCMV tem impacto direto no combate ao déficit habitacional, uma vez que está direcionado para um segmento que responde por mais de 90% do déficit de moradias, cabendo destacar o segmento de renda familiar de até R$ 1.600, que é atendido com recursos do Orçamento Geral da União, sendo que as famílias pagam apenas uma parcela simbólica equivalente a 5% da renda familiar. Dessa forma, milhares de famílias que até então representavam apenas carência por imóvel, pois não tinham condições de obter um financiamento pela via convencional, passaram, de fato, a integrar a demanda por imóvel, podendo ter acesso à moradia digna. Nos últimos três anos, já foram firmados contratos para a produção de mais de 2 milhões de unidades habitacionais. Desde o lançamento do programa em 2009 já foram entregues 1,4 milhão de UH.

Como a Caixa tem tratado o desafio da Pós-Ocupação?

Com o objetivo de garantir que não haja desvios de finalidade do PMCMV, bem como para possibilitar que as famílias selecionadas possam maximizar os benefícios da aquisição da casa própria, a Caixa tem feito um intenso acompanhamento do pós-venda, que passa pela realização de trabalho técnico social, que objetiva esclarecer às famílias quanto aos seus direitos e deveres, bem como da forma mais adequada para utilizar o imóvel e, também, por pesquisas de satisfação e de verificação se quem está morando no imóvel é a família que efetivamente assinou o contrato. Além disso, para garantir a qualidade dos imóveis e auxiliar as famílias na solução de eventuais problemas construtivos, a Caixa criou o programa “De olho na qualidade”, disponibilizando, inclusive, um canal de comunicação exclusivo (0800 721 6268) para atender aos beneficiários do PMCMV, sendo que esta empresa passou a ser o elo entre as famílias e as construtoras, para  agilizar o atendimento e a garantir a solução dos problemas construtivos.

A Caixa é uma grande parceira das prefeituras, como os gestores municipais podem acessar os principais programas?

O governo federal, em parceria com a Caixa, oferece diversos programas de habitação, infraestrutura, saneamento e reforma agrária que utilizam recursos do OGU (Orçamento Geral da União), FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Trabalho) e FAR (Fundo de Arrendamento Residencial). O acesso aos programas é feito por meio da celebração de convênios e contratos de repasse entre os entes municipais e a Caixa.

A Caixa, a fim de se aproximar dos municípios e antecipar a solução de suas necessidades, tem disponibilizado empregados para ficarem exclusivamente à disposição dos municípios, os quais atuam junto às nossas GIDUR e SRs, como interlocutores das administrações.