O governo Wagner deixa muitos legados na educação

O governo Wagner deixa muitos legados na educação

Formado em economia e professor universitário com mais de 30 anos de carreira na Universidade Federal da Bahia, Osvaldo Barreto é secretário de Educação da Bahia desde 2009, liderando um importante processo de avanços no setor. Antes de chegar à secretaria, ele atuou no Ministério da Agricultura e foi diretor da Escola de Administração da Ufba. Nascido em Itapicuru, ele acompanha com especial interesse a interiorização dos investimentos públicos, o que também tem acontecido na educação. O secretário falou com a equipe do site sobre o cenário educacional baiano e brasileiro.

Como o senhor percebe o cenário atual da educação no Brasil e na Bahia?

Eu como secretário da Educação e como cidadão tenho uma visão extremamente positiva com relação ao que aconteceu na educação do Brasil nas últimas décadas. Eu acho que o período do governo Lula, Dilma… e aqui na Bahia com o governo de Jaques Wagner, desde 2007, ele faz avanços importantes na construção do projeto de educação no Brasil. No governo Lula, ocorreu o “saque” da transformação do Fundef em Fundeb e a partir daí você abrange todos os alunos das várias fases da educação básica e passa a ser obrigatório a presença dos jovens na sala de aula. Vem a obrigatoriedade dos alunos estarem na sala de aula até os 17 anos... houve avanços. Houve um grande processo de ampliação e melhoram os indicadores, que ainda são baixos. Tem muito caminho para andar, mas melhorou muito o processo de professores, por exemplo: na Bahia, o governo Wagner tem acumulado reajustes reais de mais de 50%, ou seja, além da inflação, mais de 50% de reajuste no salário. O governo Wagner estabelece alguns legados para a educação, o primeiro é que o governo instituiu o Sistema Estadual da Educação, por meio do qual assume a rede de educação (no sentido de grande estruturação dessas redes). A partir de 2010, implantamos na secretaria um sistema de gestão escolar que permite ter a visão do conjunto de escolas na Bahia. Hoje a secretaria sabe a nota dos alunos, de qualquer série, de qualquer sala, quer dizer… acompanha as notas, acompanha a frequência. A secretaria com isso tem condições de moldar projetos pedagógicos de acordo com a necessidade do estudante, veja que este é um avanço fenomenal. A secretaria investiu muito em construção de escolas, investimos muito em reformas de escola... quer dizer, quando nós entramos no governo, mais de 50% das escolas estavam em estado ruim a péssimo. Hoje tem problemas de estrutura? Claro que a gente tem uma escola ou outra, mas no geral você tem uma rede de educação bem estruturada. A gente tem um projeto que é o Pacto com os Municípios, por exemplo, que é um dos projetos mais importantes que está acontecendo na Bahia, porque ele é fundante da educação. Nós estamos trabalhando num esforço gigantesco, começamos em 2011 e em 2013 tínhamos 370 municípios ligados ao pacto pela alfabetização e o Estado entra como material didático de português e matemática… é uma colaboração com os municípios. Nós temos projetos importantes na área de reforço de aprendizagem básica, até pra dar conta de distorções que existem. Nós estamos realizando em parceria com o Ministério da Educação, o Pacto com o Ensino Médio, um programa gigantesco que envolve mais de 500 mil bolsas para professores no país inteiro.

O que acredita ter sido a principal mudança de gestão trazida pelo PT no governo?

Acho que o governo Wagner encontra um Estado que era muito competente no marketing, mas tinha problemas gravíssimos. Um problema grave é a concentração de investimentos na capital e RMS. A Bahia do fundão não existia. Tanto não existia que ela está completamente desconectada, quer dizer..você tinha um estado que estava com as estradas todas acabadas, pra você se deslocar para o interior era um problema. O interior estava sendo propositadamente isolado. Existia essa estratégia de criar os bolsões e deixar lá. Eu vejo que o governo Wagner restabelece este diálogo com a Bahia do interior, a Bahia das fronteiras… Você vê que tinha um movimento forte em Barreiras no sentido da separação e Wagner consegue esvaziar a questão, ele vai ao Governo Federal, cria a Faculdade do Oeste da Bahia, cria a Universidade do Sul da Bahia e amplia dois campi da UFRB. O Governo da Bahia hoje gasta mais de um bilhão de reais nas quatro universidades estaduais. Ainda cria um curso de medicina em Paulo Afonso, cria um curso de medicina em Vitória da Conquista, ou seja, é uma ação vigorosa que tem a mão do governador Wagner.

Na área de educação, como acontece essa interiorização?

Aí você tem os polos de desenvolvimento. Veja que o governo Wagner ele investe em uma coisa que ninguém vê. Você tinha um problema da Bahia, que era a juventude do campo. O governo da Bahia investiu em transporte escolar, ele sai de 9 milhões de reais e vai para quase 70 milhões. Além disso, a gente distribuiu ano passado 250 ônibus escolares… acabamos de adquirir mais 125. Ainda criamos um projeto que é o ensino médio com intermediação tecnológica, o Emitec que este ano vai chegar aos 25 mil alunos estudando em áreas remotas do estado. A gente tem um projeto importante também na secretaria, que é o Educação Profissional. Quando chegamos ao governo, tínhamos apenas 4 mil matrículas e hoje nós estamos nos aproximando de 70 mil matrículas, em todos os territórios. Também temos o TOPA (Todos pela Alfabetização), fundamental, pois o número de analfabetos no estado da Bahia era de envergonhar todo mundo. Os indicadores ainda são baixos, mas o governo tem investido forte nesta questão.

Quais os planos quanto à implantação da educação em tempo integral?

A questão da educação integral no Brasil é muito nova, embora Anísio Teixeira tenha trabalhado o conceito na década de 60. Hoje, o Governo Federal inicia este movimento através do Mais Educação, que é um programa que oferece a oportunidade de alunos se matricularem no contraturno, para ter atividades de arte, de reforço, de esportes. Nós temos mais de 600 escolas que já aderiram ao Mais Educação. Na secretaria também temos um projeto de educação integral, que envolve 59 escolas: 29 na capital e 30 no interior. Não é um projeto fácil de se implantar e envolve uma mudança cultural da comunidade escolar, envolve um acompanhamento pedagógico muito mais preciso… e é este o trabalho que nós estamos fazendo. O Plano Nacional da Educação 2022 / 2023 prevê que a gente esteja com metade das escolas em educação integral. Até porque nem todo mundo se adequa à educação integral: o menino que trabalha, ele tem outras prioridades. Uma outra novidade que nós criamos na secretaria são os Centros de Educação Noturna, com nove unidades em Salvador e interior. A característica desses centros noturnos é a direção própria, ele tem uma construção pedagógica calcada em três grandes áreas: Ciência e Tecnologia, Trabalho e Cultura, visando dinamizar o currículo dessas escolas, para atrair o jovem trabalhador.

Como está a relação do governo com os professores?

Eu acho que o governo Wagner é um governo que se notabilizou pelo respeito ao servidor público e melhorou muito o trabalho do servidor público; disso eu não tenho dúvidas… Claro que papel do sindicato é discutir salário..o sindicato é uma coisa corporativa e ele se dedica a visão dele. No caso da Bahia, o que eu posso afirmar é que o governo Wagner sempre teve uma política de valorização dos professores, sempre com reajustes reais de salário. Na Bahia, nós já pagamos acima do piso salarial e pagamos o piso todos os anos desde quando ele foi instituído (aumentou em 2009… pagamos 2010, 2011, 2012…). O governo Wagner já ampliou o salário dos professores em mais de 50% em termos reais. Isso sem considerar o plano de carreira da Bahia, que é um dos melhores do Brasil. O governo Wagner investiu em salário dos professores em todas as áreas, mesmo nas universidades. Nas universidades há um discurso permanente contra o governo, mas a gente tem uma excelente relação com o professorado da educação básica. A greve de 2012 foi um ponto fora da curva, vínhamos num crescente dentro das relações, retomamos isto e hoje há um clima de diálogo. Se você pegar todas as categorias do Estado e ver a remuneração de 2006 e hoje, pode olhar que os reajustes são muito elevados. O salário médio dos professores é muito maior do que era em 2006/2007.