Fizemos da Assembleia a casa do povo e a casa da cultura, diz Marcelo Nilo

Fizemos da Assembleia a casa do povo e a casa da cultura, diz Marcelo Nilo

Nascido no município de Antas, no interior baiano, em 1955, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Marcelo Nilo (PDT), tem uma longa trajetória política, marcada especialmente por quatro mandatos consecutivos à frente da Casa. Ele iniciou sua vida pública quando ainda era estudante de engenharia civil e em 1991 estreou como parlamentar estadual, sendo eleito novamente nas cinco eleições seguintes. Na condição de postulante ao cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Rui Costa, o deputado falou com a equipe do site sobre suas realizações e planos.

O senhor tem uma longa trajetória política, o que percebe que mudou no cenário brasileiro e baiano ao longo desse tempo?

Eu saí da Embasa, onde entrei como estagiário e saí como presidente, e alguns amigos acharam que eu deveria ser candidato a deputado estadual. Então, fui seis vezes deputado estadual, sou o único deputado na história da Bahia que ficou dezesseis anos na oposição. E meu sonho… ele foi concretizado. Meu sonho era que nós tivéssemos um governador que respeitasse os direitos individuais, os direitos coletivos… que fosse um governador de todos. E finalmente chegou o governador Jaques Wagner, que faz um governo democrático e republicano. Antigamente o governador só atendia àqueles que votavam nele, hoje não. Hoje, na parte administrativa, o governo do estado faz as parceiras com todos os prefeitos, independente da conotação partidária. Então o governador Jaques Wagner, com certeza, é este homem que esperávamos.

Qual a principal marca que o governador Jaques Wagner deixará ao fim destes 8 anos de gestão?

O cenário também atuava no sentido que nós tivéssemos um governador voltado para as áreas sociais mais carentes. Quando Lula, que é um nordestino que saiu de Garanhuns em cima de um pau-de-arara foi para São Paulo e tornou-se presidente da República, ele manteve suas origens. O primeiro ato dele foi levar todos os ministros para cidades mais pobres do país, chegando lá, olhou para o ministro e disse: Olha, tá vendo aquela mulher varrendo a calçada? Ela é cidadã que nos colocou lá como presidente da República e hoje vocês são ministros por causa dela. Tá vendo aquele homem com chapéu de couro? Hoje você é ministro por causa dele, foram eles que nos colocaram lá. Portanto, eu esperava esperava que tivéssemos um presidente da República que desse prioridade ao nordeste. Então, a partir de Lula, o nordeste passou a ter prioridade.

O governador alfabetizou um milhão e cem mil baianos; entregou 125 mil casas populares; criou condições estruturais para 560 mil empregos; recuperou mais de 83% das estradas da Bahia; iniciou o mandato com 5 mil de garantia safra, hoje nós temos 260 mil; fez a Arena Fonte Nova; recebeu (o Estado) com uma única universidade federal, hoje nós temos cinco. Mas, a marca principal dele é fazer um governo para todos; sem perseguição, respeitando todas as pessoas, independente conotação partidária.

O senhor está presidindo a Assembleia pela quarta vez, quais foram as principais marcas desta legislatura?

Tem diversas marcas, mas eu gostaria de citar que nós recebemos todos os movimentos sociais… os negros, os homossexuais, as mulheres, os índios, os quilombolas, os sem terra, sem teto, os empresários, todos os que queriam ter visibilidade foram recebidos aqui na Assembleia Legislativa. Também fizemos da Assembleia a casa da cultura, onde editamos 114 livros sobre pessoas que fizeram a história do nosso estado. Portanto, a Bahia hoje tem uma cultura diversificada e consequentemente a juventude sabe das pessoas que ajudaram a Bahia a chegar onde chegou. Eu acho que as duas marcas são fazer da Assembleia a casa do povo e a casa da cultura.

Mesmo com o esforço dos deputados, esta Casa não consegue dar conta dos anseios da população. As comissões temáticas estão longe do ideal, podem contribuir muito mais para a produção legislativa. Como o senhor vê a questão? O que poderia ser feito para avançar?

Na realidade, cada deputado é responsável pelo seu nariz, pelos seus atos. Eu dou as condições estruturais, fizemos um prédio novo, ampliamos todas as estruturas das comissões… agora, compete a cada um cumprir com seu papel. Tem deputados que cumprem. O deputado José de Arimatéia foi escolhido como destaque, fruto de seu trabalho na comissão. A deputada Maria del Carmen, que atua muito na área de desenvolvimento urbano… Então, depende exclusivamente do deputado. Quem elege o deputado é o povo, o que eu posso fazer é respeitar a decisão política de cada um, dar condições aos deputados que fazem oposição, dar as condições aos deputados da maioria, mas as outras coisas dependem da posição individual de cada deputado. Uns querem atuar e outros não.

Já criamos todos os mecanismos: cortamos ponto de deputado, obrigamos as comissões temáticas exigirem (presença), mas depende do perfil de cada deputado. Eu acho que nas comissões onde os deputados efetivamente atuam temos um bom papel. Agora, quando o deputado não quer atuar… infelizmente eu não sou chefe dos deputados. Eu sou presidente dos iguais, mas os iguais aqui são diferentes.  

Como está vendo a questão da sucessão estadual?

Será uma eleição difícil, dura. Nós temos um candidato a governador, escolhido pelo governador Jaques Wagner, que está começando agora a dar os seus primeiros passos. Uma eleição muito difícil, uma eleição muito dura… Mas, acredito que Rui Costa é o favorito.

Quais seriam as suas principais contribuições na chapa majoritária?

Primeiro eu estou aguardando a decisão do governador, se eu vou ser chamando para ser o vice ou não. Se for convidado, aceitarei com muita honra. Se não for convidado, eu vou reunir o partido, reunir os meus amigos e decidir politicamente o que vamos fazer.

O que o senhor acha da posição do governador de estender até depois do carnaval a decisão sobre o vice?

Eu não concordo, preferia que o governador decidisse imediatamente: chamava os partidos e aquele que tivesse as melhores condições políticas seria escolhido. Aqueles que não forem escolhidos, também deveriam apoiar… Agora, eu já disse ao governador pessoalmente que acho que não tem sentido aguardar pra depois do carnaval; já tem o governador, já tem o senador, existem dois partidos pleiteando, existe dois candidatos pleiteando… aquele que for escolhido, aplaude o outro, porque faz parte da política. Agora, realmente aceito, porque ele é o técnico; aceito, porque ele é o governador; mas discordo.

Como está a relação com seus concorrentes à vaga? Quais seriam as compensações ao PP, caso o senhor seja escolhido? A presidência da Alba poderia ser um espaço a ser negociado?

Eu acho que muito bem, porque eu me dou muito bem com o deputado Mario Negromonte. Já foi meu amigo fraternal, depois nós nos separamos, por conta da política, depois a própria política nos uniu novamente. Mas eu estou aguardando a decisão do governador. Eu não faço política pessoal. Se eu for escolhido, pode ter certeza que eu darei toda a contribuição que eu puder. Se eu não for escolhido, aplaudirei aquele que for escolhido. Afinal de contas, a decisão depende exclusivamente do próprio governador Jaques Wagner. Aqui é difícil de negociar, porque quem elege são os deputados. Não é decisão exclusiva do governador. O governador pode negociar secretaria, fortalecimento na composição do governo… óbvio que você pode fazer até um pré-acordo para presidente da Assembleia, mas tem que ter um nome, porque quem elege o presidente são os deputados. Eu sempre tive o apoio do governador, mas quem elege são os parlamentares. Então eu cheguei quatro vezes, pelas relações que eu construí na casa. Então aquele que for presidente, tem que ter as relações. Não adianta o governador, o presidente da Assembleia ou quem quer que seja indicar o nome, se os parlamentares não aprovarem. Aqui é eleição, aqui não é indicação. Agora, você tem muitas compensações dentro do próprio governo.

Postado em 23/01/2014 , usando as tags: marcelo nilo, jaques wagner, rui costa, mário negromonte, pdt, assembleia legislativa