Especialistas e população discutem corredores transversais e mobilidade em Salvador

Especialistas e população discutem corredores transversais e mobilidade em Salvador

Aconteceu nesta quinta-feira, 7, a audiência pública “Linhas Azul e Vermelha: corredores transversais de transporte em Salvador”, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O evento, promovido pela Comissão Especial de Desenvolvimento Urbano da ALBA (CEDUrb), contou com uma grande participação de integrantes de movimentos de moradia e de pessoas interessadas em discutir e conhecer mais o projeto do Governo do Estado.

As Linhas Azul e Vermelha são dois grandes corredores transversais de transporte de média e alta capacidade e planejados para realizar a integração com a linha 2 do Metrô de Salvador e vão dispor de ciclovias e faixas para o tráfego urbano. O investimento nos dois trechos é de R$ 1,4 bilhão e, quando estiverem concluídos, os dois projetos vão somar 32 quilômetros. “Essas intervenções serão a primeira ligação viária entre a Orla do Subúrbio Ferroviário e a Orla Atlântica em Salvador, e vão criar novas centralidades e fluxos na cidade”, explicou a deputada estadual Maria del Carmen, presidente da CEDUrb.

O Corredor Transversal I, ou Linha Azul, liga as Avenidas Pinto de Aguiar e Gal Costa, e conta com a duplicação da Gal Costa e implantação da Ligação Pirajá-Lobato. Já o Corredor Transversal II, ou Linha Vermelha, contempla a duplicação da Avenida Orlando Gomes e a implantação da Avenida 29 de Março. “As obras dos corredores já poderiam estar prontas, se o governo federal repassasse os recursos no prazo correto. O governo estadual há um ano e dois meses não recebe nem um real referente às Linhas Azul e Vermelha, já tendo antecipado 120 milhões de reais”, afirmou a deputada.

Na audiência, a superintendente de Mobilidade (SUMOB/SEDUR), Grace Gomes, explicou como será o projeto das linhas. “As vias foram pensadas para o transporte público, pode ser com ônibus, sistema BRT (Bus Rapid Transit) ou outros. Além disso, elas já nascem com ciclovias, calçadas e terão faixas também para o transporte individual”, disse Grace, destacando a importância da interlocução com a população sobre este projeto e outras ações do governo.

Nesta linha, Alan Yukio, representante do Sindicato dos Engenheiros da Bahia (SENGE/BA), destacou a diferença entre dois projetos para Salvador, sendo um do BRT da prefeitura e este das vias transversais do Estado. “O BRT da prefeitura está sendo construído para favorecer o transporte individual, mas o projeto de cidade tem que ser voltado para o povo”.

 

Transporte vertical

Durante a audiência, lideranças comunitárias e representantes de movimentos de moradia destacaram a importância da implantação de vias verticais nos bairros. “Em Cajazeiras, nós precisamos descer o bairro para acessar a Avenida 29 de Março, por isso é importante levar vias de acesso. Se não puder para o transporte viário, que seja para o pedestre, como rampas ou escadas”, afirmou Idelmario Proença, um dos coordenadores da Frente Ampla de Cajazeiras e do MSTS Salvador.

A coordenadora da União por Moradia Popular, Marli Carrara, reafirmou a necessidade do transporte vertical, além de uma estrutura digna e inclusiva para a população, como ruas com uma boa drenagem e ponto de ônibus estruturado, com local para sentar, por exemplo. “Precisamos, ainda, barrar a especulação imobiliária que pode acontecer nas grandes avenidas. Porque se não fizermos isso, daqui há cinco anos não terá mais nenhum pobre morando lá”, completou Marli.

Participaram ainda da mesa os representantes da Diretoria de Obras Estruturantes (DIROE/CONDER), Francisco Fonseca, técnico responsável pela Linha Azul, e Ulisses Brito, técnico responsável pela Linha Vermelha.